Foi preciso esperar dois anos para Absentia ganhar novos episódios. A história de Emily Byrne, a agente do FBI dada como morta que reaparece seis anos depois sem se lembrar de nada, continua. Sem revelar spoilers, falamos com a protagonista Stana Katic, a eterna Kate Beckett de Castle.

O que podemos esperar da segunda temporada?
Quero muito que as pessoas vejam os novos episódios, eles têm muito mais ação. O suspense que os personagens carregam vai ser levado a outro nível.

Como você se preparou para este papel?
Há muitas atrizes que se queixam da falta de personagens femininas fortes. Estou entusiasmada em dar vida a uma personagem que é tão complexa como persistente e por acaso é uma mulher. Uma vez ouvi o George R.R. Martin dizer que não escrevia personagens femininas ou masculinas, escrevia sobre seres humanos. É universal. Isso quer dizer que esta é a história de uma personagem que passou por algo muito extremo.

Ela é mais como uma anti-heroína.
Sim, ela é uma espécie de Cavaleiro das Trevas. Como é que alguém se prepara para isso? É interessante, esta é uma história que, para mim, é mais uma história em quadrinhos do que uma história como True Detective. E como é tão extremo, foi precisar ligar isso às experiências do mundo real. Pesquisamos as histórias dos heróis da Segunda Guerra Mundial, as pessoas que sobreviveram àquelas experiências horríveis. Todo mundo passou por algum trauma. E também há histórias como o Busca Implacável, em que Liam Neeson tenta proteger a filha. De alguma forma, esta é uma personagem que está fazendo a mesma coisa.

É uma história de amor?
Sim, em última análise, todas as histórias são uma história de amor. E a história entre a mãe e o filho é a central.

Com o movimento MeToo, houve muita discussão sobre a desigualdade de gênero, você alguma vez sentiu isso?
Estou orgulhosa de tudo o que foi conseguido nos últimos anos, mas temos de continuar a analisar tudo. Devemos ser contadores de histórias e estar à frente na forma de pensar. Não estamos fazendo favores a ninguém ao não contar a história de todas as pessoas, de todos os gêneros, raças e sexualidades. Acho que isto é um grande início. Sei que sempre que um grupo sai dessa marginalização, ele traz outros grupos atrás também.

Se bobear, 20 anos atrás, Absentia teria como protagonista um homem.
Sim, com certeza. Teria sido possivelmente o caso no passado. No entanto, para mim é tão normal. É até confuso às vezes falar com as pessoas sobre isto. Claro que ela é uma mulher forte. O que mais ela seria? Isto não é uma novidade, é normal. Todas as mulheres que conheço são fortes, bem como os homens. Me parece bastante normal contarmos estas histórias. E não aceito nada menos do que isso.

É frustrante ser lembrada sempre pelo seu trabalho em Castle?
Adoro o amor que as pessoas têm pela Kate Beckett. Acho que ela foi uma personagem maravilhosa. Ela era praticamente tudo e por isso as pessoas se identificavam com ela. Os homens a achavam interessante e as mulheres queriam ser amigas dela. Estou orgulhosa por ter esse papel na minha carreira. Não é frustrante de forma nenhuma. É bom que as pessoas se lembrem dela. Espero que isso aconteça também com esta série.