Título: Private Fittings
Temporada: 22 de fevereiro a 27 de março de 2005
Elenco: Jessica Boevers, Lucia Brawley, Kyle Fabel, Chris Hoch, Stana Katic, Chris Kipiniak, Joan Van Ark, Eric Wippo
Roteiro: Baseado na peça Tailleur Pour Dames, de Georges Feydeau
Direção: Des McAnuff
Tradução e adaptação: Mark O’Donnell
Teatro: Sheila and Hughes Potiker Theatre – La Jolla Playhouse, San Diego
Gênero: Comédia

Papel: Yvonne

Sinopse: Private Fittings apresenta um médico (Kyle Fabel) com um olhar delirante que se apaixona por uma de suas belas pacientes. Apesar dos esforços de seu mordomo, a esposa (Stana Katic) do médico suspeita de seu marido mulherengo. Complicações engraçadas acontecem rapidamente quando sua família, amigos e vizinho – incluindo uma sogra indignada (Joan van Ark), uma esposa ausente e maridos fraudulentos – estão envolvidos em uma série de agravadas confusões de identidades.

Crítica do Variety:

Private Fittings, baseada em Tailleur pour dames, de Georges Feydeau, apresenta uma série de primeiros. É a primeira peça completa que Feydeau escreveu, é a apresentação inaugural do teatro La Jolla’s Sheila & Hughes Potiker Theater e a estreia de uma peça traduzida do francês para o inglês do ganhador do Tony por Hairspray, Mark O’Donnell. Na grande parte do tempo, é um exemplo de primeira de uma farsa de identidade equivocada.

Importado da França de 1886 para a San Diego atual e atuada com o máximo de histeria, Des McAnuff a dirige com tal estilização coreografada que a apresentação se parece muito com um musical sem músicas.

Feydeau supostamente passava as noites no Maxim, um popular café parisiense e escreveu sobre esposas traidoras e amantes conspiradores que via lá. Ele embaralha seus personagens como peças de xadrez e McAnuff, juntamente com os movimentos coordenados por Charlie Oates e pela coreógrafa Kelly Devine, trata seus encontros como um jogo vívido, resistindo a qualquer tentativa equivocada de procurar por subtexto ou justificar o comportamento absurdo com motivação. O disparate determinado da produção é parte do seu apelo, junto com os atores que cruzam, pulam e correm enganosamente ao redor do palco.

O sabor da produção é expressado alegremente com o aparecimento de Eric (Kyle Fabel), um “terapeuta de cura espiritual” que tem passado as noites longe de casa à espera de sua amante, Suzanne (Jessica Boevers). Fabel, um perfeito e energético palhaço, é a peça central da apresentação e o elemento mais engraçado.

Em uma sequência ridiculamente hilária, este “mestre hindu charlatão” explica a esposa Yvonne (Stana Katic) porque ele ficou fora a noite toda, alegando que tinha que cuidar de seu amigo Drew (Chris Hoch) que estava morrendo. Drew, então, aparece forte como um touro, fazendo flexões e levantando Eric no ar e as tentativas desesperadas dele de avisar o amigo para agir mortalmente doente caem por terra.

As excentricidades doidivanas de O’Donnell incluem o cara surfista Steve (Eric Wippo), o assistente pessoal inepto, e Harriet (Joan van Ark), a dominadora sogra de Eric, uma autora de best-sellers que defende a assertividade feminina enquanto controla cada movimento de sua filha. Van Ark, dramaticamente vestida por Paul Tazewell em óculos de sol branco, blazer e sapatos brancos, tem uma reputação de interpretar personagens vulneráveis, então a sua interpretação de uma vaca maliciosa e corajosa é inovadora.

O’Donnell tem um talento infalível para a farsa. Todos os seus personagens contribuem para o agradável caos, mas alguns são mais fortes do que os outros. Chris Kipiniak acrescenta uma sugestão de perigo como Conan, um ex-combatente da Marinha e marido da amante de Eric. Conan fala de um desejo recorrente de matar pessoas com um eufemismo ameaçador e, apesar de seu toque cômico dar em nada, pelo menos adiciona um pouco de emoção.

É permitido que Boevers exalte-se, corra por aí em patins e grite atrás de portas fechadas. De todos os componentes, ela é a única que permanece mais humana, não importa quão frenética suas ações.

A música original de Michael Friedman tem uma sensação rítmica divertida que melhora o humor brincalhão. Duas mudanças de cenas longas, inteligentemente concebidas por McAnuff, são mais do que simples transições – membros do elenco cantam, patinam e movem os móveis, e esses números tem um ar de espetáculo musical.

Os atores mantém um ritmo tão implacável que às vezes as falas cômicas são perdidas. Felizmente, há tantas delas que a ocasional perda não é sentida como uma privação. O dialogo de O’Donnell sobre adultério é também pertinente para qualquer época, como na observação de Eric “Não visto não é a mesma coisa de não feito”, e no comentário de Conan “Eu sei, baseado no meu próprio comportamento, o quão difícil os homens podem ser”.

Feito sob medida para risos, a adaptação hipercinética de O’Donnell deveria encontrar um futuro em teatros regionais. Serve direitinho para este novo teatro, uma maneira boa para a audiência de estrear uma nova temporada.

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