Há menos de uma semana para a estreia de Absentia na Europa, o site polonês wyborcza.pl divulgou uma entrevista com Stana Katic na qual ela fala sobre a série e como foi gravar na Bulgária.

Emily  Byrne é uma esposa e mãe corajosa. Entrevista com Stana Katic, a paersonagem principal da sensacional série Absentia

por Kalina Mróz

Emily tem uma família que está passando por momentos difíceis devido ao seu desaparecimento, as cenas com o pai dela, o irmão ou o marido são muito comoventes e vemos o que acontece com as pessoas quando alguém de sua família imediata morre,” Stana Katic conta a história.

Absentia é um thriller ou um drama moral?
É um thriller de suspense que não permite que o telespectador a assista calmamente. Você não consegue relaxar com ela. Quase nenhum herói é exatamente o que ele pensou ser originalmente. Mas também temos uma continuidade que permite nos identificarmos com os personagens, entendê-los. Emily tem uma família que está passando por momentos difíceis devido ao desaparecimento dela. As cenas que envolvem o pai dela, o irmão ou o marido são muito comoventes. Nós observamos o que acontece com as pessoas quando os entes ao redor delas morrem e, de repente, levantam da lápide depois de anos.

O primeiro episódio é bastante brutal, eu não esperava por isso.
Nós tentamos justificar, de forma convincente, a violência na tela. Nós não queríamos que fosse para entreter a audiência. Precisávamos de um retrato psicológico profundo de Emily. Ao trabalhar no papel, eu me interessei por vários casos de sobreviventes, o estado de espírito deles. Eu li, por exemplo, os relatos de sobreviventes da Segunda Guerra Mundial. Eu queria entender como você pode lidar com um trauma desses, o que, em específico, mantém as pessoas vivas em situações extremas. Foi um desafio de atuação interessante.

O maior da sua carreira, até agora?
Com certeza, um dos maiores. Gravamos 10 episódios ao mesmo tempo. Muitas vezes, fomos de um cenário para um episódio diferente em um dia. Para um ator, isso é como gravar 3 filmes de uma vez, porque a personagem, ao longo da série, está mudando demais.

E o relacionamento dela com os outros personagens, ele está mudando?
Sim, dependendo das diversas facetas dele, ela é uma irmã, uma filha, uma mãe. Ela também é uma agente. Mas o mais forte e o mais difícil é, claro, o relacionamento entre Emily e o filho dela. Eles compartilham do amor incondicional que floresce com o desenvolvimento da ação. Eu assisti muitos filmes de ação em que o personagem principal faz algo para proteger a filha dele. E, no caso de Absentia, invertemos a situação. Essa mulher é a personagem principal e deve partir em uma missão para resgatar o filho dela.

Agora, especialmente na televisão, as mulheres têm papéis cada vez mais interessantes.
Eu acho que sim. Existem scripts cada vez mais complexos e surpreendentes escritos para as mulheres. Quando me ofereceram o papel de mãe, em Absentia, fiquei na dúvida. Em filmes ou séries, esposas e mães costumam ficar sentadas, se preocupando e esse é o trabalho delas. Mas, no fim das contas, Emily é, em grande parte, a força que guia toda a história, ela tem uma personalidade complexa. Claro, não só ela. Parece que todos os personagens possuem muitas faces e o roteirista aprecia isso.

Você teve algum impacto na aparência de Emily?
Essa mulher está muito ferida, ela tem cicatrizes, ela foi torturada. Concordamos com os produtores e diretores que isso não poderia ser bonito. As experiências de vida dela devem estar escritas nela.

Como foi gravar a série na Bulgária?
Foi uma ótima experiência, porque cada um da equipe se deu ao trabalho 100%. Conheci uma maquiadora e um engenheiro de iluminação que estão na profissão há gerações. Estávamos no meio do inverno e muitas cenas foram difíceis. Uma série cheia de ação é sempre pesada, requer muitas técnicas. Mas graças ao ar sombrio, as imagens são escuras e essa é a atmosfera da série.