Na terça-feira (20), Stana Katic compareceu ao programa de rádio Up All Night, de Peter Bowes, correspondente da BBC. Para divulgar a estreia de Absentia no Reino Unido, a atriz participou de uma conversa de quase 30 minutos, respondeu perguntas de fãs e falou das curiosidades de sua nova série da Sony e Amazon Prime Video. Confira a entrevista.

Rhod Sharp: Estou muito, muito contente que ela está aqui. Talvez você gostaria de apresenta-la.

Peter Bowes: Eu gostaria, obrigado, Rhod. Stana Katic está aqui e ela já esteve conosco antes. Na verdade, Stana, acredito que a última vez que você esteve sentada neste estúdio comigo foi em 2013. Na época, falávamos sobre a série na qual você esteve por muitos anos, Castle. Agora você está em uma novinha. É ótimo te ver novamente.

Stana Katic: Obrigada, é legal te ver também.

Peter Bowes: A sua nova série se chama Absentia. Ela é similar, no sentido que você interpreta uma policial.

Stana Katic: Ah, sim. Sim, Absentia é… Existem semelhanças, no entanto quando as pessoas perguntam sobre interpretar uma policial novamente, eu posso dizer, “Olha, ela era uma agente do FBI em um momento, no entanto, na verdade, isso é mostrado como pano de fundo da história dessa personagem”. Esse é um tipo de suspense que te deixa aflito.

Peter Bowes: Vamos falar do lado comercial disso por um momento. Já falaremos sobre a personagem e a série. Esta é uma série que acabou de estrear na Amazon Prime Video no Reino Unido e nos Estados Unidos. Na verdade, ela esteve na TV em outras partes da Europa, anteriormente. Isso realmente reflete o novo mundo, no sentido de produzir para a televisão, não é?

Stana Katic: Ah, 100%. É muito interessante, estou falando com colegas que têm projetos que estão sendo originados e produzidos por, por exemplo, grupos da Alemanha e da França e, depois, retornam ao mercado dos EUA. É uma espécie de Velho-Oeste na televisão agora. É um jogo para qualquer homem. Ou mulher.

Peter Bowes: Para alguém na sua posição, isso abre muitas novas portas.

Stana Katic: Com certeza. Foi muito legal trabalhar em Absentia, pois tivemos a oportunidade de trabalhar com um grupo de talentos verdadeiramente internacional. Do elenco até a equipe, até mesmo a alguns elementos da produção. Tivemos acesso a talentos que eu não poderia ter conhecido, necessariamente, e trabalhado, se estivéssemos inteiramente com base nos Estados Unidos.

Peter Bowes: Vamos preencher a lacuna. Você estava em Castle por muitos anos. Estou curioso, como é quando você sai de uma série como essa e você segue em frente? Pois uma parte tão grande da sua vida como atriz foi naquela personagem e naquele papel. Por quais emoções você passou, conforme você seguiu em frente?

Stana Katic: Eu não… Como personagem, é uma coisa e como a atriz interpretando a personagem, outra. Mas mesmo como ser humana, eu tive e ainda tenho muitas amizades realmente maravilhosas desse projeto. E eu mantive isso. Na verdade, eu acabei de ver um dos meus colegas bem antes de chegar, então… Nós mantemos contato, nós mandamos mensagens, eu fico sabendo em que projetos eles estão, torço por eles também e fico muito feliz em ouvir sobre o sucesso de todos. Então, isso é uma parte. Foi um longo período e todos se tornaram… Tipo, você acaba se conhecendo de uma maneira muito familiar. E essa é, provavelmente, a maior transição: não ver os mesmos rostos todos os dias. Especialmente esses talentos extraordinários e com corações lindos. Mas como atriz, acho que para mim… Eu sempre estava tentando atuar em outros mundos durante o verão, então eu fazia filmes independentes, filmes com maiores orçamentos, eu estava sempre meio que envolvida em outros esforços criativos. A ideia de “Certo, como nós entendemos isso…”, nós sendo eu, não foi muito difícil, nesse caso.

Peter Bowes: Quando te ofereceram a [personagem de] Emily Byrne, a Agente do FBI que você interpreta em sua nova série, o que te atraiu nessa personagem?

Stana Katic: É engraçado. Quando meus representantes… Atores têm representantes.

Peter Bowes: Seu pessoal.

Stana Katic: Isso, meu pessoal. Então, quando meus representantes disseram, “Ei, então, no que você quer que a gente fique de olho, seguindo adiante?” eu disse, “Eu não quero, necessariamente, interpretar a esposa de alguém, a mãe…” E isso soa horrível, mas eu quis dizer nesse sentido: tradicionalmente, na narrativa, essas personagens são apenas ferramentas na história que elas estão contando. Na verdade, elas não participam na trajetória da história. Elas não são membros ativos, em muitos casos, no impulso da história. Elas estão lá para se preocupar com o personagem que está experimentando a jornada. Eu pensei, “Olha, eu não quero entrar numa história e se comprometer por um longo período de tempo, se uma personagem tem essa qualidade”. E, então, esse projeto surgiu através da Sony. O que era interessante nela era que sim, ela é uma mãe e isso é uma grande motivação para ela. E há algo meio de leoa nessa personagem que eu pensei, “Uau, isso é emocionante, essa é uma personagem de estilo diferente. Ela conduz muito a trajetória da história. Ela é durona e um pouco misteriosa, até para ela mesma.” Então, há muita coisa que está misturada nessa personagem. Ela tinha todas as complicações de uma mulher, acima dessa circunstância extraordinária que ela estava saindo e eu pensei, “Isso será muito emocionante de interpretar. Há muita oportunidade.”

Peter Bowes: Vamos preencher algumas lacunas para as pessoas que ainda não assistiram a série. Emily Byrne desaparece sem deixar rastros e é declarada morta. Ela estava a caça de um dos assassinos em série mais notórios de Boston. Boston é a cidade onde a série se passa. Seis anos depois, ela é encontrada em um casebre na floresta. Ela quase não está viva e não consegue se lembrar de nada dos anos em que esteve sequestrada. Ela retorna para casa e o marido dela se casou novamente. O filho dela foi criado por outra mulher. E a história se desdobra a partir daí. E, logo, ela se encontra envolvida em uma série de assassinatos.

Stana Katic: Isso, isso. Obrigada, muito bem.

[Um diálogo de Absentia é passado no rádio]

Peter Bowes: A música da vinheta foi feita para te fazer pular ao final. Você ouve o suspense sendo construído. E isso é só o começo.

Stana Katic: É, acho que essa é uma dessas histórias em que o público que é fã de mistério e suspense, possivelmente, preverão acontecimentos e não acharão que estão errados. Então, isso também é emocionante, assistir algo que você acha que sabe para onde a história está indo, mas aí descobre, “Ai, não. Está indo para uma direção totalmente diferente.” E o que eu também gostei nessa série é que sim, Emily é a personagem que meio que guia a trajetória da nossa história, no entanto, cada um dos outros membros do elenco têm um arco fantástico a interpretar. O que descobrimos, conforme seguimos em frente na história, é que todas essas pessoas, membros da família, colegas e assim por diante têm segredos sombrios que são descobertos conforme vamos de um episódio para o outro. E eles têm muitos motivos de ter mantido a situação atual, de ter mantido Emily de fora.

Peter Bowes: Isso é interessante, essa série basicamente se passa em Boston, mas foi gravada na Bulgária. Por quê?

Stana Katic: Bem, isso era parte do projeto, quando me juntei. Esse foi um local em que alguns dos produtores haviam trabalhado no passado e fiquei realmente surpresa, de modo positivo, pela equipe que eles haviam montado e por alguns locais que eles já conheciam. Sabe, alguns dos maiores filmes de ação do passado foram gravados lá, como 300 e Os Mercenários. E o que é muito interessante em ter projetos como esse [lá] é que, embora eles tenham como base a ação, as equipes têm que ser realmente super técnicas para executar aquelas histórias. Então, tínhamos uma equipe fantástica. Muitos da nossa equipe vieram desses filmes. Quando eu falei com o diretor, eu disse, “Então, como você vai duplicar [a cidade de Boston]?” Claro, tínhamos um fundo e coisas assim. Tínhamos um estúdio no qual estávamos trabalhando que tinha essa sensação de Costa Leste, mas o diretor sempre achava que a cidade era, sim, “Boston”, no entanto Boston era mais como a cidade de Seven: os Sete Crimes Capitais que apenas a sugeria. Poderia ser qualquer cidade.

Peter Bowes: Então, a pressão não estava constantemente em fazer as ruas se parecerem com Boston.

Stana Katic: 100% não. Estávamos falando, “Queremos usar um sotaque de Boston? Queremos ter certeza que os personagens, que o elenco de apoio tenha sotaque de Boston?” Estava claro que todos queriam mais uma sensação de história em quadrinhos, onde é Metrópoles, não é necessariamente a cidade de Nova York. Isso faz sentido?

Peter Bowes: Sim, totalmente. Outra coisa interessante para mim é que muitas pessoas do elenco são britânicas.

Stana Katic: Sim. Sim! Eu tive aula de como fazer chá com a Cara Theobold e com o Neil Jackson. Ambos são atores incríveis que estão em nosso elenco. Ralph Ineson estava trabalhando conosco, também.

Peter Bowes: Para os que talvez não se lembram, Ralph era o parceiro de Ricky Gervais, em The Office. Que personagem diferente!

Stana Katic: Né?! E em Game of Thrones, também. Cara de Downtown Abbey. Tínhamos uns atores ingleses incríveis.

Peter Bowes: Vou te fazer algumas perguntas que foram enviadas para mim, como Rhod disse, pelo Twitter. Eu mencionei isso há uma semana e fui inundado [por perguntas]. Literalmente, foram centenas, talvez milhares de perguntas.

Stana Katic: Yay!

Peter Bowes: Eu não vou mencionar todos que enviaram uma pergunta, pois muitas delas são semelhantes. Mas a pergunta mais comum é: haverá uma segunda temporada de Absentia?

Stana Katic: Acho que eu tenho que deixar a Amazon lidar com qualquer coisa do tipo. Vamos ter esperança. Vamos ter esperança, pessoal.

Peter Bowes: Mas as coisas estão indo bem.

Stana Katic: Felizmente, sim. O público que foi atraído para a série até agora foi enorme, desde o início, na Espanha e em Portugal, até a Grã-Bretanha e agora na América. Então sim, eu estou grata.

Peter Bowes: A gente não conseguiu uma resposta concreta para essa pergunta, mas você está sorrindo. Karen, em Nova York, me pediu que perguntasse a você sobre o tipo de métodos de atuação que você usa, pois algumas das cenas em que você está são extremamente realistas. Estou pensando em uma das primeiras cenas em que você está em um enorme tanque do que parece ser água gelada. Basicamente, você está se afogando e você mesma fez a cena.

Stana Katic: Sim.

Peter Bowes: Você não usou uma dublê para nenhuma dessas cenas?

Stana Katic: Não, para essa, não.

Peter Bowes: Você é metódica? Nas cenas que você fala, claro, você só segue o roteiro? Qual é o seu estilo?

Stana Katic: Eu só aproveito o que consigo. Eu não sei se conseguiria determinar alguma coisa em específico. Há tantos exemplos por aí de pessoas que se sentem coagidas por conta de circunstâncias extraordinárias e pessoas que têm que encontrar a coragem para sobreviver a elas. Então, pesquisar um pouco disso e explorar esses personagens e a realidade dessas circunstâncias… Tipo, a situação de afogamento é basicamente tortura com água, de certa modo, então…

Peter Bowes: Foi o que pareceu.

Stana Katic: É. Há muita informação em pesquisas por aí para se explorar e utilizar.

Peter Bowes: Linda, de Pittsburg, pergunta sobre você fazer as suas próprias cenas de ação. Ela disse, “Você se machucou? Você ficou com muitos machucados e tem uma maneira de lidar com eles, quando sabe que pode se machucar, mas tem que estar de volta ao set no dia seguinte?”

Stana Katic: Eu tinha uma dublê. Acho que quase todos nos tínhamos dublês que faziam a ação. Ela é uma pequena titã extraordinária. A equipe tentou deixar tudo muito seguro. E, claro, tudo foi meio contido, de certa forma. Mas eu percebi que chegava em casa e descobria novos machucados todas as noites. Eu ficava, “Oh, da onde isso surgiu?”

Peter Bowes: Você também é a produtora executiva da série e a Sandra, da Alemanha, pergunta sobre isso. Ela está curiosa para saber quanta influência você teve como produtora da série se comparado com apenas ser uma atriz. Como isso é diferente quando você está envolvida nesse cenário, desse modo?

Stana Katic: Essa foi uma oportunidade que surgiu antes de começarmos a gravar. Eu sinto que, especialmente nesse estágio na nossa indústria, na indústria do entretenimento, é importante sentar-se à mesa quando lhe é oferecido. Eu tentei ser a melhor parceira que pude no que diz respeito à narrativa. Do desenvolvimento da personagem – no momento que eu cheguei, claro, muita coisa já estava construída, – até todo o caminho às nossas edições finais. Tínhamos um ótimo grupo de pessoas muito dedicadas, com a Sony e, mais tarde, com a Amazon e com os outros grupos que se juntaram para distribuir a série. E, claro, nossa equipe de produção, do diretor aos produtores e assim por diante e o elenco. Então, nunca é uma coisa individual, definitivamente é uma experiência colaborativa. Mas o meu trabalho é ajudar a contar a melhor história que eu posso e, às vezes, eu posso contá-la como uma pessoa que teve oito anos de experiência. O que foi muito interessante, pois eu não percebi como estava recebendo uma educação sutil ao longo desses anos. Eu não percebi como eu estava meio que tendo uma experiência universitária gratuita lá. Eu pude oferecer algumas dessas informações aos meus parceiros de narrativa.

Peter Bowes: A Sandra também está curiosa se você passou muito tempo na sala de edição, pelo seu papel de produtora. Imagino como é se editar.

Stana Katic: Na verdade, eu não estava na sala de edição. Temos uma produtora muito adorável chamada Julie Glucksman que estava trabalhando com o nosso diretor vindo de Israel para esse projeto, Oded Ruskin. Eles estavam na sala fazendo o trabalho do dia a dia e eu estava vendo as coisas que eles me mandavam, conforme as edições estavam sendo estruturadas de um episódio para o outro e conversando sobre as notas, as intenções, as partes e assim por diante. Sabe, coisas da trajetória da história. No que diz respeito à edição, é estranho, não sou uma fã de… Eu não fico ansiosa para me assistir na tela. No entanto, consegui encontrar um espaço em que eu pudesse me afastar de me sentir estranha em me ver e [pensar], “Uh, perdi uma oportunidade, poderia ter feito isso diferente.” Consegui contribuir de uma maneira que eu me concentrei, “Temos as partes? Estamos mantendo o ponto de vista?” e outras perguntas que seriam feitas quando estão tentando criar uma história.

Rhod Sharp: Olá, Stana. Aqui é o Rhod.

Stana Katic: Oi, Rhod.

Rhod Sharp: Vou te dar um tempo de todas as perguntas dos fãs. A minha pergunta é: alguma coisa mudou para você, como protagonista feminina, em termos do Time’s Up? Estou pensando no fato de que no BAFTA de domingo à noite todos estavam usando um broche da Time’s Up. Alguma coisa está diferente agora, em se tratando de entrar no escritório de um produtor?

Stana Katic: Quando finalizamos as gravações, a iniciativa ainda não havia iniciado ou chegado ao seu ponto alto. E espero que ela não necessariamente chegue ao seu ponto alto, espero que ela continue. Então, eu não a senti em campo. Mas eu acredito, de certa maneira, que esse é um diálogo que vem acontecendo há alguns anos, tem havido conversa sobre igualdade de salários e assim por diante. É uma conversa que está acontecendo há um bom tempo, no entanto, em campo, eu não necessariamente a senti. E é claro que tivemos certo tipo de estética em nosso grupo, o que foi realmente legal de se trabalhar. De qualquer forma, não vi isso pessoalmente nos últimos tempos, mas sinto que, no geral, há um esforço para tentar criar um sistema de história mais inclusivo, seja através do elemento gerencial, seja pelos artistas que estão contando a história na tela. E eu acho que isso é muito emocionante. Tipo, estamos falando da Time’s Up, mas também estamos meio que falando da inclusão que reflete mais do mundo como ele é. E eu acho que se nos comprometermos com esse tipo de histórias, somos, de certo modo, mais fieis ao que existe. Eu sei que morando em Los Angeles vejo muitas culturas, muitas raças, muitas religiões, muitos gêneros e um passo em direção a isso é respeitar esforços como o Time’s Up e o Me Too.

Rhod Sharp: Você disse que eles não te fizeram utilizar um sotaque de Boston, esse é um sotaque tão fácil de parodiar, mas na realidade é bastante difícil de fazê-lo, não é?

Stana Katic: Com certeza. E há a diferença entre o sotaque dos arredores e, digamos, o de Boston propriamente dito. Mas teria sido divertido. Eu gosto de ouvir o sotaque britânico e as diferenças, as variações entre os sotaques. Então, acho que teria sido divertido interpretar algo com um sotaque americano.

Rhod Sharp: Vou te entregar de volta ao Peter.

Peter Bowes: Muito obrigado. Ainda temos um monte de perguntas sobre Absentia e chegaremos a elas em um segundo. Mas quero te perguntar essa aqui. Muitas pessoas estão comentando o fato de as Olimpíadas estarem acontecendo nesse momento e se perguntam se você é fã dela. Se você tem um esporte preferido, se você é uma mulher do esporte e tem alguma disciplina em particular que gostaria de participar?

Stana Katic: Uau, sim. Eu gostaria de tentar o luge.

Peter Bowes: Interessante.

Stana Katic: O curling, também. Eu sei que eles não fazem sentido juntos, mas tentaria um dos dois.

Peter Bowes: Você pratica esporte?

Stana Katic: Sim, eu faço muita ioga, corro, faço caminhada e coisas do tipo. E eu jogava futebol, quando era pequena.

Peter Bowes: Então, talvez as Olimpíadas de Verão.

Stana Katic: Isso, claro.

Peter Bowes: Certo, de volta a série. Muitas perguntas estão relacionadas ao fato de que essa série foi muito realista, muito intensa. A Gabi, do Brasil, se pergunta simplesmente como você se sentia no final do dia. Você chegou a sonhar com a história ou até mesmo chegou a ter pesadelos por causa do que você interpretou nas horas anteriores?

Stana Katic: Os meus pesadelos, obrigada por perguntar, geralmente giravam em torno de, “Ai meu Deus, eu sei as minhas falas? Ai meu Deus, vou acordar a tempo para o meu horário?” e foi isso. Mas, na medida em que isso foi uma experiência de alta atuação, com certeza. Gravamos a série em três meses e meio, filmamos todos os episódio baseados na localização, então estávamos gravando qualquer episódio a qualquer momento. Foi, definitivamente…

Peter Bowes: Esse é um cronograma intenso. Muito intenso.

Stana Katic: Sim, foi desafiador. Foi, basicamente, como contar três filmes de uma vez.

Peter Bowes: Pois é. O que me leva a pergunta da Monica. A Monica é de Washington, DC e diz: “O que você fez com os roteiros quando os terminou?” Ela disse “quando você terminou de lê-los”, imagino que seja quando você terminou de lê-los e de fazer aquelas cenas. Você é uma dessas pessoas que guarda todos os roteiros?

Stana Katic: Sabe, nesse caso, não. Não guardei. Eu tinha muitas anotações e tudo isso e eu queria apenas deixa-las em seus lugares. Então, me desfiz de todos os roteiros.

Peter Bowes: E, na verdade, há muitas cenas em que, francamente, você não precisa de um roteiro, pois está tudo nas emoções e nas expressões faciais. Monica fala disso, dizendo que, na verdade, você não diz uma palavra, mas ainda está contando a história com a sua expressão facial. Ela pergunta: de onde você tira a energia para poder fazer isso?

Stana Katic: Das minhas axilas. Encontro muita energia nas minhas axilas. Estávamos contando, em alguns aspectos, um suspense de estilo nórdico e nesses tipos de histórias não há muita ação falada. Não precisamos explicar muito do enredo através do diálogo, é verdade. A maioria da história é contada em silêncios e nos momentos intermediários. Eu gosto disso, gosto desse tipo de narrativa.

Peter Bowes: A Jena, de Phoenix, tem outra pergunta sobre o roteiro. É simples, você meio que já falou disso: como você memoriza as suas falas? Você tem um sistema, tem um processo? Você tem dificuldade com isso?

Stana Katic: É, eu pego o meu roteiro, coloco embaixo do meu travesseiro e durmo sobre ele. E, de alguma maneira, por osmose, eu as memorizo.

Peter Bowes: Essa é uma dessas questões abstratas. Kim, da Alemanha: se você tivesse uma máquina do tempo, qual ano você escolheria?

Stana Katic: Uau, eu gostaria de pular para o futuro.

Peter Bowes: Eu não sei de onde essa pergunta veio.

Stana Katic: É, acho que eu iria para o futuro. Acho que seria interessante ver a viagem do Tesla até Marte. Ver a viagem do homem a Marte. Isso seria legal.

Peter Bowes: Isso seria ótimo. Adoraria isso.

Peter Bowes: O ATP, o Alternative Travel Project é algo que falamos da última vez que você esteve aqui. Na verdade, das últimas vezes em que você esteve aqui, acho. Beatrix, de Portugal, se pergunta como ele está. Na verdade, deixe-me explicar o que é isso: essa iniciativa está basicamente tentando tirar as pessoas de seus carros para utilizarem formas alternativas de transporte. Você foca muito disso em Los Angeles.

Stana Katic: Foi uma iniciativa sem fins lucrativos que comecei em 2010. A ideia por trás dela era encorajar as pessoas a viajarem sem veículos a gasolina, através de novas tecnologias, caminhadas, ciclismo, transporte público e assim por diante. E, assim, é algo que ainda é muito querido por mim e eu mesma pratico. Nessa fase, estamos buscando parcerias no projeto com uma universidade. É uma organização sem fins lucrativos fantástica e acho que a parceria correta seria uma fase da próxima etapa desse projeto

Peter Bowes: E há muita coisa emocionante acontecendo em Los Angeles.

Stana Katic: Com certeza.

Peter Bowes: Elon Musk está bem aí, a frente disso, com seus túneis.

Stana Katic: Sim, e somos uma das, se não a principal capital do entretenimento do mundo, então a estética que começa aqui, as tendências que começam aqui reverberam em todo o globo. Acho que seria algo que se pudéssemos fazer parceria com o grupo certo, se espalharia fácil.

Peter Bowes: Há muita força desde quando você começou o projeto?

Stana Katic: Foi fantástico. Eu estava recebendo mensagens de pessoas que estavam na Romênia que dedicavam tempo sem seus carros e que tinham histórias de amor iniciadas em um ônibus, porque eles decidiram viajar fora da bolha de seus carros. Então, sim, há um tipo de energia realmente maravilhosa por trás disso. E, em Los Angeles, estamos olhando para o que está por vir, porque o tráfego tem sido uma piada, sempre. A população cresce exponencialmente, parece, e eu sinto que estamos vendo como é que esta cidade será nos próximos anos e o que vamos fazer quanto a isso.

Peter Bowes: E, falando em estar em Los Angeles, essa outra pergunta é da Maria, que está na Itália. Ela menciona o fato de que, obviamente, você filmou em uma área muito fria, um país muito frio, e você está acostumada a estar aqui, em Los Angeles. Ela perguntou como você se acostumou com o fato de que você foi do calor de Los Angeles para um clima muito frio?

Stana Katic: Sabe, acho que meu sangue desapareceu. Quero dizer, eu estava com diversas camadas de roupas e a Bulgária no inverno era bastante fria. E eu não tive tanta dificuldade em fazer a transição para esse clima como alguns dos meus outros colegas que vieram, acho, do Uruguai, do México e assim por diante. Então, eles realmente tiveram dificuldade em gravar Absentia e grava-la no meio do inverno.

Peter Bowes: Nós só temos tempo para mais uma pergunta. A Lisa, em Colony, na Alemanha, diz: você pegou alguma coisa do set de Absentia como lembrança? Deixe-me presumir que você não vai voltar, mas talvez volte.

Stana Katic: Na verdade, eu não acho que peguei.

Peter Bowes: Muitos atores fazem isso.

Stana Katic: Sim, eu não tive que pegar. Eu tive uma equipe muito incrível que, antes de partirmos, meu Deus, me deram presentes lindos. Da equipe da elétrica, aos iluminadores chefes e assim por diante. Eles me deram um monte de camisas de futebol. Há dois times de futebol rivais lá e eles se divertiram. Os grips torciam todos para o time que era vermelho e a equipe elétrica para o time que era azul. Eles se divertiram me vendo vestir a camiseta dos times deles. Então, tenho muitos presentes desse grupo. E muitos outros presentes legais da nossa equipe. Eu estava carregada quando deixei a Bulgária.

Peter Bowes: Parece que você se divertiu.

Stana Katic: Sim. Foi legal.

Peter Bowes: Estamos sem tempo, Stana. Foi muito bom te ver.

Stana Katic: Muito obrigada.

Peter Bowes: Obrigado.

Tradução e adaptação: Stana Katic: Stanatics Brasil.

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